Dentre as muitas atividades que a Sociedade Regina Virginum desenvolve junto às vocações mais jovens, estão um Curso de Férias e um Congresso. Esses eventos ocorrem em janeiro e em julho, respectivamente.
Neste ano de 2026, no mês de julho, a programação incluiu uma peça teatral, que foi ocasião de sólida formação espiritual e bíblica para as novatas, e, ao mesmo tempo, de madura reflexão para as que há mais tempo seguem a vida religiosa.
A representação tinha como tema central a visita da Rainha de Sabá ao Rei Salomão. No meio de cenários e figurinos realistas e atraentes, apresentou-se um contraste de comportamento entre a Princesa, esposa de Salomão, filha do Faraó, e a Rainha de Sabá. Nos diálogos incluíam-se alguns dos sábios e admiráveis provérbios do Rei Salomão, aplicando-os às situações concretas.

A trama focalizava a atitude da Princesa egípcia, caprichosa, ciumenta, comparativa… e a nobreza de comportamento da augusta visitante. A cena inicial representava uma audiência entre os esposos, na qual a Princesa queixava-se amargamente do “trato injusto” que recebia do Rei: seu palácio – que havia sido construído pelo amoroso esposo, tão rico e belo quanto o próprio palácio real – era menor do que o Templo de Deus; além disso, ficava fora da cidade de Davi, o que consistia para ela “humilhação e desprezo”; tudo o que o Rei falava tinha como tema central “a arca da Aliança”…; e ela já estava farta dos seus famosos provérbios… E a pior das queixas: Salomão não lhe permitia construir um templo aos seus deuses egípcios, Osíris, Ísis e Ptah!!

Não foi sem certo pasmo, mas com muito interesse, que as participantes acompanharam as explicações que se seguiram às cenas. Analisava-se detidamente a atitude caprichosa, movida por impulsos repentinos, irracionais da Princesa. A partir de uma mera impressão – e falsa! – de que ela não era querida pelo Rei, essa Princesa fazia todo um rol de queixas e dramas, subindo a voz diante do esposo, e até chegava às lágrimas. À sua saída, pronunciava com certo desalento o Rei Sábio: “Eu descobri que a mulher é mais amarga que a morte. A mulher intrigante é uma goteira persistente, que cai de um telhado furado em dia de chuva. Querer retê-la, é reter o vento, ou pegar azeite com a mão. Quem a possui é como aquele que pega um escorpião”. Alertava-se para este defeito, tão frequente no gênero feminino, de se deixar guiar por impressões. Também se mostrava como a mulher triste influencia o ambiente e causa o desânimo – péssimo sentimento e altamente perigoso, porque põe em risco todas as virtudes – em si e nos outros. Outro defeito: a comparação. “O palácio que construístes para mim é muito menor do que o Templo que edificastes para o teu Deus…” E tudo isso representado pela Princesa do Egito com gritante – mas didático – exagero!

“Para ti, tudo se reduz a princípios e altas razões…” dizia a Princesa ao sábio Rei, ironizando seus conselhos para que se acalmasse. Essa atitude bem caracteriza a negação de deixar-se guiar pela razão; já não se tratava simplesmente de apegar-se a impressões, mas de rejeitar a sabedoria. E finalizava: “Estou farta da tua sabedoria!!” ou seja, revoltava-se contra o próprio Deus.

Quando finalmente o Rei fica a sós, pondera com pesar: “Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Eis o que procuro continuamente, sem descobrir!”

Ficaria esse predileto de Deus sem auxílio de seu Altíssimo Senhor, a quem adorava de toda alma?
É o que veremos no próximo post!

