A Estrela de Belém

“A estrela guia os Magos e os Magos guiam a estrela…” É o que alguma canção natalina recita a respeito da estrela de Belém.

Bem longe de interpretações pseudomísticas ou, pior ainda, de certas explicações científicas que, no fundo, procuram empanar o brilho que a graça coloca no relato de São Mateus, a alma popular canta e se encanta com cada um dos símbolos presentes no magnífico mistério do Natal. E, dentre esses, a estrela ganha relevância, seja por sua atraente luz, seja por seu papel de guia dos Reis Magos. Ao mesmo tempo, ela expressa os anseios que aqueles potentados traziam no interior do coração. Sem dúvida, esses soberanos eram pessoas cujas aspirações iam além dos horizontes comuns dos homens, eram idealistas e compreendiam que seguir um ideal, responder ao chamado de Deus é o que lhes traria verdadeira felicidade. E não erravam em seu lúcido raciocínio.

Los Reyes Magos – Museo Episcopal – España

Sua retidão os levava a investigar os céus em busca do Bonum, do Verum, e do Pulchrum por excelência, quando, em determinado momento, se deparam com o maravilhoso astro que os convidava a segui-lo, de maneira irresistível. Dessa desconhecida estrela fizeram seu ideal.

 

E a estrela começou a guiar os Magos. Atravessaram desertos, sofreram hesitações quando ela empalidecia, desapontaram-se com o povo frio e incrédulo quanto aos acontecimentos que eles lhes anunciavam, desnortearam-se inúmeras vezes, porque a realidade contradizia as promessas que a estrela lhes fizera… mas, ainda assim, prosseguiam seu caminho, confiando naquilo que a graça lhes soprava na alma: seguir a estrela e encontrar o Menino e sua Mãe.

 

Cortejo de los Reyes Magos – Museo Cristiano – Esztergom – Hungría

Descobriram, com o passar dos dias e dos acontecimentos, que o misterioso astro não os enganava. Cada detalhe, cada ocultação, o ritmo com o qual os guiava, os locais por onde passavam, tudo parecia previsto e estudado para ser daquele modo e não de outro. A estrela realmente os guiava. Por outro lado, eles, de certo modo, guiavam a estrela. Se confiavam mais, mais brilhante ela se fazia; se sua esperança se enlanguescia, o resplendor se abatia. A certa altura descobriram que havia um diálogo entre eles e a estrela.

 

Passaram então a fazer perguntas ao misterioso astro: “Encontraremos o Menino Deus?” E a estrela cintilava intensamente. “Seremos bem acolhidos?” E uma cintilação multicolorida lhes afirmava, no profundo do ser, que mais do que supunham. Daí o grande gáudio que os tomava e os levava a compor admiráveis hinos, que só seus companheiros de viagem, os dromedários e as areias do deserto ouviam. E curiosamente a estrela como que mostrava ter pelos Reis cuidados maternais. Sua presença sempre os deixava serenos e confiantes.

Já habituados ao comportamento daquele astro, não estranharam quando não o viram sobre a mundana Jerusalém e seu iníquo rei. Ele não se faria ver por aqueles corações vendidos aos prazeres da carne. Indignados pelas pérfidas palavras do monarca, nas quais facilmente identificaram traços de requintada maldade, volveram rapidamente as costas ao palácio real e apressaram-se a abandonar a conspurcada Sião.

 

Constatando em si mesmos a verdade do axioma “Quem ama odeia”, saíram dali com impetuoso fervor. Com toda a confiança na condução da estrela, em pouco tempo a reencontraram e, outra vez, deixaram-se levar por ela. Mais do que nunca sentiam na alma enlevo e gratidão. Em breve, confiavam, veriam o Recém-nascido e sua Mãe.

 

Poucos dias depois de sua partida de Jerusalém, ao entardecer de um dia frio, mas sem nuvens, estando o céu já pontilhado de cintilações, notaram um intenso jorro de luz dourada que se precipitava sobre Belém. Tinham chegado! Açodaram os camelos e em breve se viram de joelhos e prosternados diante do Rei dos reis, que lhes sorria e lhes estendia seus bracinhos, esperando que se aproximassem para lhes oferecer seu divino amplexo. Oh, felicidade! Oh, inenarrável gozo! Oh, benditas humilhações pelas quais passaram para chegar diante de tão grande Rei e de sua Santíssima Mãe.

Reyes Magos – Museo Nacional de Arte de Cataluña – Barcelona – España

Por fim, olharam para a luminosa estrela e pediram ao Menino Jesus que a fizesse resplandecer sobre todos os reinos da Terra, sobre os antigos impérios, sobre terras novas, sobre os povos conhecidos e sobre os desconhecidos. Que todos se reunissem em torno do presépio e O adorassem.

 

De súbito, deram-se conta de que sua estrela possuía certos esplendores que viam em grau magnificado na face indescritivelmente alva da Santa Mãe de Deus. E finalmente compreenderam o enlevo, a veneração e a ternura que a estrela lhes inspirava. Na estrela, sem ainda entender, tinham eles venerado a mais excelsa criatura, a mais santa das virgens, a eleita entre todas as nações, Maria Santíssima.

Nativity – St Mary’s Church – Waltham, Massachussets – USA

Pensavam os santos Reis: “Incontáveis astros reluzem no firmamento, Ela, porém, é o mais resplandecente de todos, é a mais luminosa das criaturas! Ela é a Estrela Luminosíssima que nos conduz ao seu Divino Filho e por Ele ao Reino dos Céus!”

 

E agora a incomparável Estrela brilha sobre o mundo inteiro. Quereis conhecê-la? Basta fazer como os Reis Magos: ajoelhar-se diante do presépio e, com humildade, retidão e confiança, deixar-se amar por Ela e pelo Menino Jesus!

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