Através de Sua Eminência Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer e do casal Domingos Fernandes de Aguiar e Mara, a Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum foi agraciada com um Oratório, localizado no bairro Jardim Pedra Branca, na zona norte de São Paulo. A construção remete ao estilo gótico policromado e possui vitrais com cenas da vida de Santa Filomena e Santo Antônio, tornando o ambiente propício ao recolhimento e à oração.
Durante os longos anos transcorridos para a elevação do edifício, os vizinhos sabiam apenas que se tratava de uma capela. As crianças espiavam pelas frestas dos tapumes e os adultos por cima do muro, mas não chegavam a uma conclusão que satisfizesse sua curiosidade. Por isso, no dia escolhido por Sua Eminência para a bênção do novo Oratório, as famílias da redondeza acorreram em grande número, fazendo com que rapidamente os lugares se esgotassem.
Eis a homilia do Cardeal Dom Odilo:
Com muita alegria, sentiam-se honrados pela presença do Cardeal Arcebispo de São Paulo e não poupavam sorrisos e cumprimentos, tanto na entrada quanto na saída de Sua Eminência. Um fato pitoresco se deu: uma senhora trazia pela mão um adolescente de 14 anos e, aproximando-se do Cardeal, mostrou-lhe uma foto de Dom Odilo carregando ao colo o garotinho quando tinha apenas um mês de vida. Emocionada, explicava ela que, naquela ocasião, a criança estava enferma e, ao encontrar-se com ele, a mãe pediu-lhe que desse uma bênção e tivesse seu filho nos braços um pouquinho, ao que ele paternalmente acedeu. Dizia ela, agradecida, que depois disso o menino sarou e continuou normalmente seu crescimento.
Um senhor, fazendo questão de cumprimentá-lo, garbosamente se apresentava junto com sua família como originário de Toledo, onde Dom Odilo exerceu seu ministério por muitos anos. E assim outros fiéis se aproximavam apenas para um cumprimento, outras crianças para dar-lhe qualquer coisinha que o agradasse, enfim, queriam usufruir da presença paternal de seu pastor. Para os que assistiam à cena, era impossível não recordar as recentes e comoventes imagens de Leão XIV em contato com seu rebanho!
Mas, e como foi a cerimônia?
O cerimonial da Bênção do Altar e do Oratório transcorreu dentro da celebração da Santa Missa de modo esplendoroso. O incenso e a água benta lançados no presbitério e em todo o recinto lembravam aos fiéis a necessária penitência e a memória de seu Batismo, e para o templo, eram a purificação de suas paredes.
Enquanto esses ritos se desenvolviam, o coro das irmãs cantava diversas melodias, ora gregorianas, ora polifônicas, que contribuíam ainda mais para criar um ambiente digno e elevado, refletindo o acolhedor, protetor e suave perfume da Santa Mãe Igreja. As palavras do Salmo 68 ecoavam não só nas arcadas, mas nos corações dos assistentes: “Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria!”
E o cortejo do Ofertório…
E ainda não era o fim. Pequenos gestos, cheios de significado e simbolismo, mantinham os fiéis extasiados. Por exemplo, o momento, antes do Ofertório, em que o diácono entrega ao Cardeal uma pequena vela acesa e com esta ele acende os castiçais do altar.
Ou ainda o solene ato de adoração ao Santíssimo Sacramento após a Comunhão, e a reverente incensação feita pelo Cardeal antes de guardá-lo no sacrário. E quão profundamente devem ter penetrado nas almas as lindas palavras da bênção final: “Alegres e purificados, possais ser templo em que Deus habita e possuir um dia com todos os santos a herança da vida eterna.”
A esse celestial quadro serviam de moldura os belos arranjos florais que ornamentavam o altar, e o incenso que se elevava arquitetando graciosos desenhos.
O generoso casal que passou o Oratório às irmãs de Regina Virginum não escondia sua profunda alegria. Em conversas, contaram que a construção havia sido uma espécie de ex-voto por uma graça recebida e que, terminado o empreendimento, pediram a Nossa Senhora luzes para saber o que fazer com a capela. Surgiu-lhes então o desejo de ofertá-la às irmãs, que já conheciam de longa data. Durante toda a cerimônia, o piedoso casal estava em lágrimas, e sua emoção… emocionava!
Ao final, as irmãs ofereceram um saboroso jantar para o Sr. Cardeal, o caridoso casal, para o pároco, o Pe. Arquileo, para outros sacerdotes presentes e para duas irmãs da Congregação das Servas do Senhor que acompanhavam o Cardeal. Aliás, não se encontravam ali pessoas mais felizes que as irmãs de Regina Virginum, porque nesse local encontrarão incontáveis oportunidades para elevar suas preces pela Igreja, pelo clero e por todas as pessoas que se encomendam a suas orações; como também exercer seu zelo apostólico junto às famílias, proporcionando-lhes cursos de formação doutrinária, de catequese etc., e às jovens, que continuarão os cursos de teatro, música instrumental e vocal, culinária, artesanato, línguas estrangeiras.
Ao final de tão memorável dia, apagando as luzes e fechando as portas do seu Oratório, as irmãs refletiam, consoladas, sobre os inescrutáveis caminhos de Deus e elevavam ardorosas preces ao Céu, em profunda gratidão. Porém, já não estavam ali apenas as irmãs: Santa Filomena e o próprio Filho de Deus presente na Eucaristia estavam com elas!